T1 – Epsódio 2: O Cordão Umbilical – Lado Filho(a)

Gente boa!

 

Se você está lendo este artigo, então você e sua mãe passaram por essa primeira ruptura da vida: o cordão umbilical cortado.

No primeiro artigo desta série abordamos algumas questões do ponto de vista da mãe, nesta que consideramos como a primeira grande ruptura da vida. Neste artigo vamos abordar o lado filho(a).

Mas não deixe de ler se você não é mãe, pois os pais também participam e todo mundo é filho ou filha e certamente passou por isso.

É algo curioso e que raramente pensamos a respeito!

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Durante alguns meses. Cinco e meio, seis, sete, oito, nove… tua mãe te carregou no ventre. Você “sozinho” ou já com um ou mais irmãos.

Um ambiente natural, química, biológica, psicológica, e espiritualmente perfeitos para o primeiro tempo dessa jornada chamada Vida.

Às vezes alguns desses e outros elementos se descontrolam e as coisas não ficam mais tão perfeitas assim, mas na maioria dos casos tudo anda de forma certa ou no mínimo ajustável…

Pais, parentes e amigos conversaram com você, escolheram teu nome, fizeram enxoval, prepararam o ambiente onde você ficou… (não sabemos qual o seu caso, mas muitos de nós ficamos a maior parte do primeiro tempo no colo mesmo).

Também às vezes algumas confusões foram ouvidas e presenciadas por você, pelas famosas disputas de poder… sogras, noras, genros e até sogros, que às vezes são mais como ogros…não só os sogros!

E você ficou por lá, na maioria dos casos por 9 meses, ou no mínimo em torno de 40 semanas para ser considerado não prematuro.

Alguns foram mais apressados e saíram desse ambiente antes desse tempo considerado saudável pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

Para a mãe, que aguarda a chegada do bebê, alem isso, é tempo de espera, ansiedade, muitas mudanças em seu corpo, em suas emoções, dúvidas, angústias, inseguranças, felicidades e etc…

 

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Chegou a Hora: Um momento e tanto!

Vai chegando o dia e você se incomoda e se acomoda lá naquele lugar pra zarpar!

Até então um cordão, o cordão umbilical te trazia tudo o que você precisava para “evoluir” e se transformar de uma mera união de esperma e óvulo em ser “quase pronto” pra próxima etapa.

Voce sai de lá. Pelos meios naturais ou por intervenções, você sai!

E assim que você sai, ganha um presente: um tapa na bunda e O Cordão Cortado.

Talvez o tapa na bunda não se aplica mais hoje em dia, mas muitos o receberam.

Calma por que ninguém tava com raiva não. Precisávamos chorar.

E choramos. Tem que chorar. Sinal que o pulmão funciona.

E você começa a fazer algo que não tinha feito ainda, pelo menos não dessa forma: respirar!

Poucos ou quase nenhum de nós tem lembranças desse momento. Alguns quando fazem regressão, outros jamais.

Mas foi um esforço e tanto.

Uma mistura de emoções e sensações quase indescritíveis.

Dependendo do local onde tudo ocorreu você foi colocado no peito de sua mãe, ou já foi levado para a limpeza e embrulhado num novo conjunto de proteções: fralda, touca, luvas, body, casaquinho, etc…

Não vamos prolongar esta descrição porque cada experiência é única e não é preciso generalizar mais! Se você já passou por isso sabe exatamente do que estou falando e aposto que acrescentaria um monte de detalhes da sua estória em particular.

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Um pós-momento e tanto!

Depois de um tempo isso tudo é meio esquecido pois uma nova vida toma conta de tudo, embora ela se resuma a comer (mamar), dormir, chorar e produzir as necessidades fisiológicas.

Luzes, cores, cheiros, movimentos, gente, e outras infinitas coisas das quais nada se sabe, pelo menos não conscientemente.

O povo todo fala com a gente como se a gente fosse um bebê!

Dadá, bibi, buu, nenen, e outras interjeições inventadas nos quatros cantos da Terra. Que bom!

O susto do nascimento, com todos os seus possíveis traumas, vai passando e os carinhos, os colos recebidos, a atenção dedicada parecem sugerir um mundo melhor que aquela barriga.

E em geral a gente vai se ajustando, lenta e monotonamente, ou às vezes muito agitadamente.

Mas e se este ajuste não acontecer naturalmente?

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Essa ruptura feliz dói. Dói por que o mundo todo muda de repente.

Num momento você tem tudo sem esforço algum e noutro imediato tudo é diferente e só mesmo o instinto nosso e de nossa mãe ou de quem se responsabilizou pelos cuidados conosco tem.

O pequeno incômodo gerado em nós para podermos sair do ventre não se compara aos inúmeros incômodos que enfrentamos a a partir de então.

A fome passa a doer e a gente chora. Nos dão alimento, seja no aconchegante peito materno ou no colo de alguém que já nos ama e nos considera, com uma mamadeira.

A barriga fica cheia e o coração agradecido.

Mas em seguida vem a cólica e o ser enfurecido.

(Aqui uma dica. Uma colherinha de café preto, fraco e puro, como primeira coisa que o bebê ingere pode eliminar e muito essas cólicas todas. Coisas do interior de Minas Gerais, que nem médicos nem enfermeiras acreditam nem deixam fazer mas que funciona. Só uma colherinha hein! Não vai dar um balde de café pra criança…).

Depois da cólica, a sujeira. E como cheira mal hein! Como é que pode sair tanta coisa fedida dum buraquinho tão pequenininho!

Limpou, aqueceu, agora dormir.

Isso seria o normal e pra muitos é como de fato acontece.

Já pra outros o que acontece é uma grande confusão.

Chorar, comer, sujar, limpar, dormir é a nova dinâmica da vida.

Esse novo ser aparentemente não tem como racionalizar o tratamento dessa ruptura a não ser de modo intuitivo, instintivo e natural. O que é bom. Desde que deixem que isso de fato aconteça.

É bom lembrar sempre que esse novo ser recebia tudo praticamente sem esforço e agora precisa entrar num processo de “comunicação” com a mãe ou responsável, para que suas necessidades sejam supridas.

Muitas vezes essa “comunicação” é pura “intuição”, algo que nós aqui do ocidente perdemos a tempos…

Mas essa intuição ainda persiste nas mães. Que bela dádiva divina!

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Essa intuição é de fato uma dádiva. E como tudo que é bom, pode também ser de certa forma prejudicial se a consciência não entrar em ação.

É que o cordão umbilical físico foi cortado, mas no lugar dele nasce outro: o emocional.

É absolutamente normal que exista e que se desenvolva um apego bi-lateral: mãe-filho-filho-mãe.

Se não for a com a mãe, é com quem cuida. E não existe nenhum problema nesse ponto.

A questão toda é quando esse apego ultrapassa o bom senso e se materializa em transferências emocionais e psicológicas, circunstanciais ou não.

A falsa ideia de que relacionamentos mal-resolvidos em outras esferas da vida, possam ser compensados a partir deste novo momento pode gerar dependências e co-dependências perversas pra ambos.

E por isso muita gente fica segurando o tal cordão, que agora é só simbólico, invisível, emocional, e o que era pra ser a ruptura feliz se torna numa escravidão. Da mãe para o filho ou do filho pra mãe.

E muita gente, e muitas vezes, se acha que esse cordão não foi cortado. Não é verdade?

Crianças e mães ou responsáveis super apegadas(os) tendem a sofrer muito mais com as próximas rupturas da vida.

O que fazer então?

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Se o apego é ruim, o desapego total também não é bom. Nem de um lado nem de outro.

No livro de Provérbios, na Bíblia, tem um verso que achamos de fundamental importância. Esse verso tem sido tremendamente mal entendido e tem gerado mais frustração do que seu objetivo de fato.

Isso por que a tradução do mesmo para as nossas linguagens modernas se deteriorou natural ou propositalmente e dá mais margem para o exercício do domínio e do poder dos pais sobre os filhos do que sua mensagem original que é a identificação do ser que surgiu, e do respeito à sua individualidade e integridade como tal ser.

O verso é o de número 6 do capítulo 22 que está traduzido para o português, em geral, com o seguinte sentido: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velha não se desviará dele”.

Essa é a tradução equivocada. Concordamos com o exposto por Danilo (https://issoehebraico.com/2016/08/08/ensina-a-crianca/ ) de que a melhor tradução seria:

Começa a criança segundo seu (próprio) caminho e, mesmo quando for velho, não se apartará dele!”

O que nos traz de cara dois entendimentos ou visões sobre esse texto daquele que foi considerado o homem mais sábio do mundo até os dias de hoje:

  1. se você deixar a criança fazer o que quiser, seu futuro poderá ser perigoso, pois se decidir roubar, será um ladrão, se decidir matar será um assassino, etc…. no sentido de que é preciso determinar o caminho da criança e nesse caso a interpretação é idêntica à que foi utilizada pelas igrejas e dominadores no decorrer da história da humanidade.

  2. a segunda visão é a de que a criança é um ser pronto e nosso dever, obrigação para com ela é de preservar essa sua constituição, e mais do que preservar, ajudar para que o auto-conhecimento de sua condição a faça jamais se desviar dessa integridade que é a única que poderá lhe trazer um posicionamento saudável diante da vida. Então deveríamos entender e incentivar a criança a trilhar o seu próprio caminho e jamais se desviar dele.

Nossa postura por aqui é a da segunda visão. Pra com todos!

Cada um de nós tem seu próprio caminho que deve ser preservado, resgatado se porventura perdido, incentivado, mesmo diante de qualquer que seja o relacionamento no qual a gente se envolva.

Então nossos filhos e filhas podem até seguir por caminhos parecidos com os nossos mas não são iguais à gente.

Nós não somos e nem temos que ser iguais aos nossos pais.

Desapego não é deixar de gostar, deixar de curtir, deixar de lado e que se dane!

Desapego é não se deixar levar por falsas identificações.

Um é um. Outro é outro.

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Nesse sentido não existe a propriedade de mãe e pai para com filho e nem de filho para com mãe e pai.

A gente chama de meu e minha, mas é só força de expressão.

Cada um segue seu caminho, e se conseguir fazer isso já está bem perto da realização pessoal.

Se você é filho(a) cuidado pra não sair decretando sua independência em relação a seus pais ou responsáveis só por que você leu este artigo.

Antes, reflita bem, sente-se com eles, converse e chegue a um bom termo para a continuidade da vida. Eles também são seres, indivíduos que devem ser respeitados como tal, assim como você.

Seguir o próprio caminho promove rupturas na vida. Algumas vão acontecer de qualquer jeito. É bom conhecê-las de antemão e ficar preparado para enfrentá-las.

Que tal pensar nisso?

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Por hoje é só!

Um Excelente viver pra você!!

Marcus e Mel

MVE Produções

P.S.:

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